
Resumo da Notícia:
A identificação de uma criança com quociente de inteligência de 132 levanta discussões importantes sobre o acompanhamento necessário para indivíduos com alta capacidade cognitiva. Especialistas apontam que a superdotação vai além de notas altas na escola, envolvendo uma percepção de mundo mais intensa e, muitas vezes, uma vulnerabilidade emocional acentuada. O alerta recai sobre a necessidade de suporte especializado que considere não apenas o desenvolvimento intelectual, mas também a integração social e o bem-estar mental, evitando sentimentos de inadequação ou ansiedade que podem surgir quando essas crianças não encontram estímulos adequados no ambiente escolar e familiar.
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Comentário sobre a notícia:
O aparecimento de capacidades intelectuais extraordinárias em idades tão precoces é um fato que permite entender a vida como um processo contínuo. Quando se observa uma criança com uma inteligência muito acima da média, o que se tem diante dos olhos não é um início de caminhada, mas a continuidade de um percurso iniciado há muito tempo. Essas habilidades não são fruto de um acaso biológico ou de um privilégio concedido sem motivo, mas representam o resultado de esforços e aprendizados acumulados em existências anteriores. Como explica Allan Kardec na obra “A Gênese”, no capítulo um, item cinco, o homem de gênio é um Espírito que tem vivido mais tempo; que, por conseguinte, adquiriu e progrediu mais do que aqueles que estão menos adiantados. Desse modo, o saber demonstrado é o ganho de um trabalho anterior, o que torna esse Espírito um mensageiro de luzes que já conquistou e que agora traz para o convívio com os outros.
Essa compreensão ajuda a explicar por que muitas dessas crianças sentem-se deslocadas ou experimentam uma ansiedade intensa. Trata-se de um conflito entre a maturidade do Espírito e a imaturidade do corpo físico que agora o acolhe. Em “Nossos Filhos são Espíritos”, no capítulo 6, Hermínio Miranda afirma que a criança é um ser espiritual adulto, experiente, consciente, dono de insuspeitado acervo de conhecimentos. Imagine-se a dificuldade de um ser com tanta experiência anterior tendo que se adaptar novamente às limitações de um organismo infantil, aprendendo a coordenar movimentos básicos e a usar uma linguagem simples. É natural que essa diferença entre o que o Espírito sabe e o que o corpo consegue expressar gere tensões e uma sensação de isolamento.
Diante disso, a função da família e dos educadores se torna ainda mais relevante. Não basta apenas oferecer estímulos intelectuais ou garantir que a criança tenha acesso às melhores universidades. É preciso cuidar do equilíbrio entre a razão e o sentimento. De nada adiantaria um intelecto brilhante se ele não for acompanhado pela bondade e pela empatia. Na obra “O Consolador”, questão 204, o Espírito Emmanuel esclarece que o sentimento e a sabedoria são as duas asas com que a alma se elevará para a perfeição infinita. Se uma dessas asas cresce demais sem a outra, o voo se torna difícil e o Espírito pode acabar caindo em armadilhas de orgulho ou vaidade. Os pais têm a missão de funcionar como guias para esses seres, ajudando-os a transformar esse potencial de inteligência em ferramentas para o bem comum e para o auxílio ao próximo.
O lar deve ser visto como o primeiro laboratório de experiências humanas, onde essas crianças aprendem que a verdadeira superioridade reside nas qualidades do caráter e na capacidade de amar. A superdotação é um compromisso de serviço. Esses Espíritos geralmente renascem com metas bem definidas de auxílio ao progresso da humanidade, seja na ciência, na arte ou no pensamento. No entanto, sem o apoio emocional e sem uma educação que valorize as virtudes morais, eles podem se perder no labirinto de suas próprias capacidades. É fundamental que recebam carinho e atenção, sendo tratados com a naturalidade que qualquer criança merece, sem serem colocados em pedestais que apenas alimentariam o ego.
As dificuldades de integração social citadas pelos especialistas também encontram explicação nessa maturidade espiritual. Muitas vezes, os interesses desses pequenos não coincidem com os de seus colegas de mesma idade física, o que os leva a procurar a companhia de pessoas mais velhas ou a se isolarem. Cabe aos adultos ao seu redor proporcionar um ambiente onde eles se sintam seguros para expressar suas dúvidas e onde as suas emoções sejam acolhidas com paciência. O tempo de infância, embora pareça longo, é um período de ajuste necessário para que o Espírito se firme em sua nova realidade física. Ao valorizar as oportunidades de aprendizado e manter a mente vinculada a ideais de fraternidade, essas crianças poderão cumprir o papel que vieram desempenhar, colaborando para que o mundo em que vivemos seja um lugar mais justo e harmonioso para todos.
Equipe Doutrinária do Espiritismo.net