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    • Os seres humanos são corruptos por natureza? O que diz a neurociência

    O ser humano nasce inclinado ao mal ou apenas carrega, em si, desafios ainda não superados? À medida que a ciência investiga o cérebro e a fé espírita aprofunda o entendimento do Espírito, somos convidados a refletir sobre a verdadeira origem da corrupção e sobre o papel da consciência, do livre-arbítrio e da evolução moral na construção de quem realmente somos. Equipe Doutrinária do Espiritismo.net, assina o comentario.

    • Data :20/12/2025
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    Os seres humanos são corruptos por natureza? O que diz a neurociência

    A reportagem explora o antigo debate filosófico sobre a natureza humana, questionando se os indivíduos são inerentemente corruptos, maus ou egoístas, sob a perspectiva da neurociência. O artigo aborda como as estruturas cerebrais e os instintos de sobrevivência podem influenciar o comportamento, direcionando-o muitas vezes para o interesse próprio e, consequentemente, para ações que a sociedade classifica como corruptas ou antiéticas. Ao examinar a biologia por trás da tomada de decisões e dos impulsos, a neurociência levanta a discussão sobre a origem da moralidade e se o ambiente social é capaz de mitigar ou exacerbar essas tendências naturais.

    Acesse a notícia completa no link: https://www.bbc.com/portuguese/articles/c4gdvw2rdnzo

    Comentário

    O questionamento sobre se o ser humano é corrupto “por natureza” reaviva um debate que acompanha a humanidade há séculos, e a contribuição da neurociência, ao apontar as raízes biológicas de certos impulsos, nos convida a uma reflexão profunda à luz do Espiritismo. A Doutrina nos ensina que a essência do ser não é a forma física nem os instintos mais primitivos, mas sim o Espírito, criado por Deus em um estado de simplicidade e ignorância, e destinado à perfeição.

    Portanto, o Espiritismo rejeita a ideia de uma natureza absolutamente corrompida ou predestinada ao mal. O mal que observamos – as manifestações de egoísmo, orgulho e, consequentemente, a corrupção – não são a essência da criatura, mas sim o resultado transitório da nossa imperfeição e da nossa ignorância. Somos Espíritos em longa jornada evolutiva, emergindo da animalidade e conquistando, pouco a pouco, a razão e o senso moral. A luta que muitas vezes vemos como “corrupção natural” é, na verdade, o conflito interior entre os remanescentes de nossos instintos menos nobres e a consciência que desperta para o bem. E nesse sentido, o próprio instinto é um dos ingredientes divinos que compõem a nossa essência, uma força que nos impulsiona para a evolução, enquanto a razão é uma conquista, que, se mal utilizada, gera em nós a dor e o sofrimento.

    Emmanuel, em “Caminho, Verdade e Vida”, esclarece que as falhas morais não podem ser atribuídas à vestimenta carnal: “Um dos maiores absurdos de alguns discípulos é atribuir ao conjunto de células passivas, que servem ao homem, a paternidade dos crimes e desvios da Terra, quando sabemos que tudo procede do espírito” (Emmanuel, Caminho, Verdade e Vida, Cap. 13). Os impulsos inferiores, mesmo que manifestados através dos mecanismos cerebrais estudados pela neurociência, têm sua origem na imperfeição do Espírito que ainda não desenvolveu valores sólidos para o bom uso do seu livre-arbítrio. A busca incessante pelo interesse próprio – que leva à corrupção – é, assim, uma manifestação de nosso egoísmo, a “chaga da Humanidade”.

    Essa visão nos traz uma mensagem de esperança e responsabilidade. Se a imperfeição é a causa, o remédio reside no esforço contínuo de disciplina e reforma íntima. O Espírito, ao longo de suas múltiplas existências, tem a oportunidade de escolher e praticar o bem, transformando as tendências viciosas em virtudes. É fundamental para o nosso progresso que nos tornemos disciplinadores de nós mesmos, agindo conscientemente no caminho do dever e da fraternidade. A dor e o sofrimento resultantes das más ações (corrupção, egoísmo) servem como um mecanismo educativo da Lei Divina, forçando o Espírito a buscar a regeneração.

    A aplicação prática desse princípio no cotidiano é o convite à vigilância e ao serviço: em vez de ceder ao impulso do ganho fácil ou do egoísmo, devemos cultivar ativamente a caridade e a justiça em nossas ações. Como nos recorda novamente Emmanuel: “É preciso se instale no homem a compreensão de sua necessidade de autodomínio, acordando-lhe as faculdades de disciplinador e renovador de si mesmo, em Jesus-Cristo” (Emmanuel, Caminho, Verdade e Vida, Cap. 13).

    Dessa forma, a neurociência, ao identificar os mecanismos do cérebro, atua como um farol que nos auxilia a mapear os desafios que o Espírito precisa superar. Ela não define a nossa natureza, mas aponta as trincheiras onde o Espírito, fortalecido pelo Evangelho, deve travar a batalha para o seu aperfeiçoamento moral, conquistando a verdadeira liberdade pela vitória sobre o mal. O destino da humanidade não é a corrupção, mas a perfeição, alcançada através do esforço, do estudo e da prática do amor incondicional.

    Equipe Doutrinária do Espiritismo.net